quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Um sonho, um elo com o passado, um recado para o futuro

Um sonho é às vezes uma mensagem, bem entendido ele ajuda a purgar (...)

Se acordamos à noite assustados, se há um vínculo com o passado cheio de mágoa e ressentimento, talvez seja a hora de olhar para o lado e ver o amor que há. Afinal, por mais que se tente, é impossível e infrutífero viver para trás.

Este texto não é autobiográfico, mas, como bem dizem os transcendentalistas, as verdades que a alma cochicha em nossos ouvidos dizem não só a nós, que as ouvimos, elas falam em um alfabeto, linguagem e código que podem chegar a todos de maneira semelhante. É essa a minha meta sempre que escrevo.


Aghast

I had a dream and got aghast
Longing in the middle of the night this would fade away
Intermingled and nightmare-bound
Felt hypnotized with sorrow
Sadness’ a link to the past
And memories I wish I could deny
But I still belong with it
I still mourn adrift
Haunted and crumbling down

Chorus:
But you
Your ability to love
Never ceases to amaze me
It never dies
Your artless attitude
T’wards life
Never ceases to amaze me
It won’t ever die
I love you cos’ you’re so pure
Like a child

Looking forward
Thanks for lovin’ me
Thanks for tucking me up at night
They could not leave me as a child
They could not see my cry

Chorus:
But you
Your ability to love
Never ceases to amaze me
It never dies
Your artless attitude
T’wards life
Never ceases to amaze me
It won’t ever die
I love you cos’ you’re so pure
Like a child

I did not think I had a long road
Still I have trodden a heavy road
And despite all the lovin’ you give me now
I wish I could  embrace them all
All these newfound rays of light

In spite
You, you never cease to amaze me
It never dies

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

É verde?


Verde

Uma esperança veio parar na minha mão — verdinha
Soprei com meus lábios apertados
Ela ainda se segurou uma vez
Pedi a felicidade plena

Ela voou
Achei que era poesia
Elas vêm aparecendo aqui em casa
E uma tinha vindo me perturbar o sono ontem
Ao que meu amor dissera:
— É um bicho, mate.

Desde quando criança via aquelas esperanças grandes
Eu não via mais uma
Agora são pequenas
E eu deposito nelas um pedido quase premente
De olhar simples para as coisas

As esperanças vêm desavisadas
Pousam na sua mão
Têm vontade própria
É um bicho — pode pisar
É um cílio que caiu da pálpebra
É uma música inesperadamente feliz
É uma lua alaranjada num dia quente
Vontade de me conectar de novo àquela brisa da manhã
que corria livremente
E me acariciava o rosto

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Um filho pode ser feio?

Eis que escrevi um texto, mas estou estranhando a cria. Quando era um estudante de Jornalismo na FCS/UERJ, ouvi de um amigo/entrevistando/ex-seminarista/roqueiro filósofo que a banda dele não tinha filhos feios.  Então, decidi postar aqui o pobre poema. Bem clichê, no meio do caminho, praticamente uma colagem de palavras, mas que representa a minha preocupação com o drama humano, por assim vos dizer. A próxima postagem será séria, sobre tradução, aguardem.


Backfiring

Feel the pain rejection put on you
Nobody can and nobody would
Cos’ it rained on the early days
And sometimes it all comes back again
Backfiring

Backfiring
Flooding
Overflowing
Out of my hands right now

It is washing me up
And I try to dive
I’m on the thin edge
While precariously I try to dive
Have I fallen short of this?
This thing they call life?

Backfiring
Flooding
Overflowing
Out of my hands right now

Suffices to say sometimes I only need some lovin’
Though
there are times
When I fail to see
The gleaming light which is all around me
And imperfect
I scream and shout out for help

And suffices to say
Maybe I’ll always be found guilty
Guilty for loving too much
Guilty for being a bit too much
Guilty for having this flesh so exposed

Backfiring
Flooding
Overflowing
Out of my hands right now


terça-feira, 8 de maio de 2012

Navega


Ainda tateava amarrotados aqueles sentimentos
Da fresta da cortina vinha um feixe
De luz
E quão inquietamente pálidas e incorpóreas
São as fórmulas exatas
Que tentam coagir o que é inato

O tato
Ele repousa e não toca
Um mar inútil e oculto
Dos passos em que meço

Tacanho
Terrível
Atormentado é aquele ritmo
Vai e vem
Na agitação
que não tenho nada

Apartei como nimbo o desassossego
Trapaceei as urgências do zênite —
e entorpeci com a desmesura do mar
Que navega
Obstante

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

O projeto de "O Médico e o Monstro"

Primeiro, as traduções de "The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde":


ORIG:

"At friendly meetings, and when the wine was to his taste, something eminently human beaconed from his eye; something indeed which never found its way into his talk, but which spoke not only in these silent symbols of the after-dinner face, but more often and loudly in the acts of his life."
Tradução 1: Mais adaptativa, tentando refinar o produto, na língua de chegada:

Em noites amenas com os amigos, quando o vinho era de seu gosto, algo distintamente humano brilhava em seu olhar; algo que nunca se notava em sua fala, mas que falava a sua expressão após uma boa ceia, e que proclamavam em alto e bom som os atos de sua vida.

Tradução 2: Intermediária, com algumas mudanças na pontuação:
Em noites amenas com amigos, quando o vinho agradava-lhe o paladar, algo eminentemente humano luzia de seus olhos. Algo de que não se daria conta no que dizia, mas que certas expressões após uma ceia comunicavam, e que falava em alto e bom som nas ações de sua vida.

Tradução publicada:

“Nas ocasiões sociais, e quando o vinho era do seu agrado, uma luz essencialmente humana emanava do seu olhar; algo que nunca encontrava vazão em sua conversa, mas se expressava não apenas nos símbolos silenciosos de um rosto após um jantar satisfatório, mas, de maneira mais vigorosa e eloquente, nos atos concretos de sua existência.” (TAVARES, Editora Hedra, 2011)

Uma versão mais literal:

Em encontros com os amigos, e quando o vinho era de seu gosto, algo de eminentemente humano reluzia em seus olhos; algo que não era, de fato, expresso em sua fala, mas que se manifestava em sua expressão após uma ceia, e que podia ser visto, de maneira mais distinta, nos atos de sua vida.

Comentários:

Um pedaço da manhã tentei solucionar algumas dificuldades desse trecho do livro de R.L. Stevenson. Os pontos mais difíceis são but which spoke not only in these silent symbols of the after-dinner face, frindly meetings, e a escrita truncada, com excesso de vírgulas.

Depois de analisar todas as possibilidades que pude produzir e as trazidas pela versão publicada, é possível chegar a algumas conclusões:

1. Não existe, de fato, isso de boa tradução literal, acho que deve existir no reino do faz de conta, ou para quem a razão consiste em "é ou não é", o que é característico do racionalismo instrumental.

2. Não gostei de nenhuma das soluções, mas é possível algumas direções. "These silent symbols of the after-dinner face" é um sintagma formulado com uma característica tão forte do inglês que apenas uma tradução adaptativa/domesticadora do ponto de vista sintático pode conseguir expressar no português. Afinal, a dúvida começa em como traduzir o demonstrativo "these". O these é: um desses (símbolos tácitos) que se percebe, um desses que são comuns, que vemos sempre, e que demonstram, no caso discutido, a expressão de uma satisfação bem humana após um jantar prazeroso com os amigos. Como traduzir isso? A sua (expressão), Certas (expressões), Nos (símbolos silenciosos), Em (sua expressão)?

3. O que é uma boa tradução literária? Tinha a intenção de escrever mais, mas a prolixidade e a dúvida deixariam o texto grande e confuso. Se tiver alguém lendo aí que deseje me ajudar a responder isso, por favor!

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Um trancedentalista...

Pouco tempo tive desde novembro de 2011, mas gestei um texto, que mais uma vez segue a linha trancendentalista. Vou ficar devendo, porquanto esteja em andamento, uma tradução para o português de um texto da literatura estrangeira.

Agora deixo um texto meu, mexido e remexido, e vamos ver se os leitores (caso haja) me conseguem definir uma mente livre, assunto do poema:


That close

I stare this silver horizon
I share with the view a feeling of scare and contempt
Then I look on the inside to let
My senses survey something left untold
To resort to my inner being
And let it be

And then an annoying feeling passes me by
That I threw some things away
To the chanciness of destiny
And how come I waste youth
With a mind
That is not free

That close
Somehow always that close to being
The one I think I really am
Am I living... truly
When am I getting there

I stare this silver horizon
I share with the view a feeling of scare and contempt
Then I look on the inside to...
Survey something...
Whispering
Tangent to my soul

Rather open myself
To the cyan of the world
Rather set my feet
Sow my seeds
To this very ground

Wish I could always have my spirit gliding
On a wind current of freedom
To reconnect to the nature
Calling my name right now


Estou aberto a críticas!